Carlos era amigo do André fora do trabalho. Eles almoçavam juntos, jogavam futebol aos sábados, as famílias se encontravam. Mas no escritório, André era subordinado direto dele.
Um dia, André pediu:
— Carlos, libera mais cedo hoje? É meu aniversário.
Carlos hesitou. Ele sabia que se liberasse o André, teria que liberar todo mundo. E não podia.
— André, entendo que é seu aniversário. Mas não posso liberar você sem liberar o resto da equipe. Se eu fizer uma exceção, perco a autoridade.
— Mas somos amigos.
— Fora daqui, sim. Aqui dentro, você é minha equipe. Não posso tratar você diferente dos outros.
André ficou chateado. Mas entendeu.
No sábado, no futebol, André comentou:
— Ainda achei que você podia ter liberado.
— Se eu liberasse você, amanhã o Rafael ia pedir, depois a Mariana. E aí eu não consigo mais gerenciar. Amizade não pode virar privilégio.
Carlos aprendeu que amizade e trabalho se misturavam quando os dois lados entendiam que o horário comercial era profissional. Fora dele, a amizade continuava. Dentro, era respeito e hierarquia.
*Continua em: 972 — Como manter hierarquia com amigos no trabalho?*