Carlos estava passando por um divórcio. A cabeça não estava no trabalho. Ele não sabia se devia contar para o Carlos ou guardar para si.
Ele pensou: se não contar, o Carlos vai achar que ele está desmotivado. Se contar, vai parecer que está usando problema pessoal como justificativa.
No café, ele encontrou a Mariana.
— Mariana, como você lida quando a vida pessoal atrapalha o trabalho?
— Eu conto, mas sem detalhes. Falo o suficiente para a pessoa entender que não é falta de vontade.
— E o que você fala?
— "Carlos, estou passando por um momento pessoal difícil. Vou manter as entregas, mas se meu humor parecer diferente, não é com o trabalho."
— E funciona?
— Funciona. Ele respeita e não pergunta mais.
Carlos chamou o Carlos.
— Carlos, posso ser sincero?
— Claro.
— Estou passando por uma separação. Tô mantendo as entregas, mas pode ser que eu pareça mais quieto.
— Entendo. Se precisar de algum ajuste, me avisa.
— Obrigado.
Carlos não entrou em detalhes. Não falou do processo, da guarda dos filhos, da pensão. Falou o mínimo. E o Carlos entendeu.
Compartilhar não era desabafar. Era dar contexto para que o outro não interpretasse errado.
*Continua em: 941 — Usar ferramenta Trello*