Carlos começou a perceber um padrão. O supervisor dele, não o Carlos, mas o diretor da área, fazia comentários humilhantes nas reuniões. Sempre com um tom de brincadeira, mas era constrangedor.
"Carlos, não erra de novo, hein? Senão vou ter que dar aula particular."
Todo mundo ria. Carlos não.
Ele começou a registrar.
No caderno, ele anotou: "12/06 — Diretor disse X na reunião. 13/06 — Comentário sobre minha apresentação. 14/06 — Gritou comigo na frente do cliente."
Ele também salvou e-mails e mensagens que mostravam o tratamento diferenciado.
Depois de duas semanas, ele foi no RH.
— Preciso fazer uma denúncia de assédio moral.
— Pode me contar o que está acontecendo?
Carlos explicou. Mostrou o caderno com as anotações. As mensagens.
— Isso é grave. Vamos abrir uma investigação.
— E se descobrirem que fui eu?
— A denúncia é sigilosa. Mas se precisar, você tem proteção legal contra retaliação.
— E o que acontece com ele?
— Se confirmado, ele pode ser advertido, suspenso ou demitido. Depende da gravidade.
Carlos saiu do RH tenso. Mas também aliviado. Assédio moral não se resolve sozinho. Se resolve com registro, denúncia e coragem.
*Continua em: 939 — Como sair de grupo WhatsApp do trabalho sem causar?*