Como lidar com supervisor injusto?

Carlos

Carlos entregou o relatório no prazo. Correto. Completo. Mas o supervisor, Otávio, colocou outro nome no crédito.

— Ele deu o relatório como se fosse do Miguel — a colega Ana contou.

— O quê?

— Vi no e-mail que ele enviou pra diretoria. Parabéns pelo excelente trabalho, Miguel. O Miguel nem mexeu no relatório!

Carlos sentiu uma raiva gelada. Não era a primeira vez. Otávio sempre favorecia alguns funcionários e prejudicava outros. Uma questão de egos e panelas.

— Isso é injusto.

— Mas o que você vai fazer?

Carlos pensou. Reclamar na hora podia parecer birra. Mas se calar era validar.

Ele foi até o Otávio.

— Otávio, vi que o relatório de fechamento foi creditado ao Miguel. Fui eu quem fez.

— Ah, foi? Desculpa. Foi engano.

— Engano? A Ana viu você escrever o e-mail.

Otávio mudou de tom.

— Olha, Carlos, o importante é que o relatório foi entregue. O nome no crédito é detalhe.

— Não, Otávio. Não é detalhe. É reconhecimento. E não é a primeira vez.

Otávio ficou quieto.

— O que você quer?

— Quero que mande uma correção pro e-mail que você enviou. E quero que pare de redistribuir crédito dos outros.

Otávio não gostou. Mas sabia que Carlos tinha razão. Mandou a correção.

No dia seguinte, o Carlos (supervisor do Otávio) chamou Carlos.

— Ouvi falar do que aconteceu. Você fez bem em falar. Se continuar, me avisa.

Carlos entendeu: supervisor injusto existe. Mas não precisa ser aceito.

— O silêncio não corrige injustiça. A fala educada e firme, sim.

Ele sabia que nem toda injustiça seria resolvida. Mas pelo menos o nome dele estava no relatório que ele fez.

*Continua em: 920 — Como falar sobre adoção no trabalho?*