Carlos recebeu o diagnóstico num exame de rotina. Diabetes tipo 2.
— Você precisa controlar a alimentação, fazer atividade física, e em alguns casos, medicação.
Ele ficou preocupado. Não pela doença em si. Pelo impacto no trabalho.
— Como vou explicar pro Carlos que preciso de horário pra exames? Que não posso fazer hora extra porque atrapalha a rotina alimentar?
Ele guardou o diagnóstico por uma semana. Não contou pra ninguém.
Até que passou mal no escritório. Visão turva, tontura. Um colega chamou o enfermeiro.
— Sua glicose está alta. Você sabia?
— Sei. Tenho diabetes.
— Precisa de acompanhamento.
Carlos entendeu que esconder não ia ajudar. Decidiu conversar com o gestor.
— Carlos, tenho uma condição de saúde. Diabetes. Preciso de horário pra exames e não posso fazer jejum prolongado.
— Você precisa de algum ajuste?
— Preciso sair uma hora mais cedo uma vez por mês pra consulta. E não posso pular almoço.
— Isso é tranquilo. Me avisa com antecedência. E se precisar de mais, me fala.
Carlos ficou aliviado. Não precisava sofrer em silêncio.
— A empresa tem obrigação de acomodar condições de saúde. Se for necessário, posso pedir redução de jornada ou trabalho remoto como adaptação.
Ele descobriu que existia a Lei de Cotas (PCD), mas isso se aplicava a deficiência. Diabetes não era considerado deficiência, mas a empresa ainda precisava acomodar.
O que ele aprendeu:
— Falar cedo é melhor que esconder até passar mal.
— Levar atestado e relatório médico sempre.
— Pedir ajustes razoáveis. A empresa pode negar? Pode. Mas se for necessário, ela precisa justificar.
Carlos se adaptou. Controlou a doença. E continuou trabalhando bem.
— Doença crônica não é fim de carreira. É ajuste de rota.
*Continua em: 919 — Como lidar com supervisor injusto?*