— Carlos, você topa assumir o projeto do sábado?
A pergunta do Carlos chegou numa quinta. Carlos já estava sobrecarregado. Tinha planos com a família no fim de semana.
— Sim — ele respondeu, antes de pensar.
Depois que desligou, se arrependeu. A esposa ia ficar chateada. E ele ia trabalhar no sábado sem receber hora extra.
— Por que eu aceitei?
Ele sabia o motivo. Medo. Medo de dizer não e o gestor achar que ele não era comprometido.
— Preciso aprender a recusar.
Na semana seguinte, o Carlos pediu de novo.
— Carlos, pode ficar até mais tarde hoje?
— Posso ver minha agenda e te respondo em cinco minutos?
— Claro.
Carlos respirou. Pensou: "O que eu tenho hoje? Tenho compromisso às 19h. Se ficar até mais tarde, perco."
Ele voltou na sala do Carlos.
— Carlos, não posso. Tenho um compromisso às 19h que não consigo remarcar. Mas posso chegar mais cedo amanhã e adiantar.
— Tudo bem. Fica pra amanhã então.
Carlos percebeu: dizer não não era o problema. O problema era como dizia.
— Posso recusar com educação e oferecer alternativa.
Ele aprendeu a técnica:
— Não dar desculpa esfarrapada. Falar a verdade.
— Oferecer uma solução alternativa.
— Não se desculpar demais. "
Foi simples. Mas mudou a relação. O Carlos passou a respeitar mais os limites dele.
— Dizer não é profissional. Dizer sim pra tudo é autossabotagem.
*Continua em: 918 — Como lidar com doença crônica no trabalho?*