O galpão era quente. O telhado de zinco deixava o ambiente abafado. Não tinha janela. Só um ventilador quebrado.
Carlos trabalhou três meses naquele setor. Sentia tontura, dor de cabeça, falta de ar.
— Galpão fechado sem ventilação. Produtos químicos sem etiqueta. Falta de EPI.
Ele sabia que aquilo era insalubre. Mas tinha medo de denunciar.
— Se eu reclamar, vão falar que sou fresco.
Até que um colega passou mal. Desmaiou. O SAMU foi chamado.
— Isso não pode continuar.
Carlos pesquisou os direitos dele. Descobriu que o empregador é obrigado a fornecer condições seguras. Se não fornece, o trabalhador pode denunciar.
Ele juntou provas:
— Fotos do galpão, do ventilador quebrado, dos produtos sem etiqueta.
— Relato de quando o colega passou mal.
— Lista de sintomas que ele mesmo sentia.
Depois, denunciou. Primeiro ao RH. Depois ao sindicato. Depois ao Ministério do Trabalho.
— O Ministério pode fazer fiscalização surpresa. Se constatar insalubridade, multa a empresa e determina correção.
Três semanas depois, a fiscalização apareceu. Interditou o galpão. Exigiu instalação de exaustores e EPIs.
— A empresa foi obrigada a arrumar. Não porque eles quiseram. Porque a lei obriga.
Carlos se sentiu aliviado. O ambiente melhorou. Os colegas agradeceram.
— Denunciar condição insalubre não é frescura. É proteção da vida.
*Continua em: 917 — Como dizer não para o gestor?*