Carlos sempre foi tímido. No trabalho novo, almoçava sozinho, voltava pro computador, ia embora sem falar com ninguém.
Não era má vontade. Era medo de ser invasivo.
— Se eu puxar assunto, vão achar que tô enchendo o saco.
Uma semana assim. Duas semanas. No terceiro dia do segundo mês, ele percebeu que a solidão no escritório deixava o dia mais pesado.
Decidiu tentar.
Começou pequeno. Na fila do café, perguntou:
— Café tá forte hoje, né?
O colega riu.
— Tá parecendo borracha. Mas é melhor que nada.
— Verdade.
Não foi uma grande conversa. Mas foi um começo.
No dia seguinte, Carlos tentou de novo. Na hora do almoço, viu o mesmo colega na mesa.
— Vou ali comer. Quer companhia?
— Claro, senta aí.
Eles comeram juntos. Descobriram que torciam pro mesmo time. Falaram de futebol, de série, de onde moravam.
Aos poucos, Carlos foi se soltando. Convidaram ele pro grupo do bar na sexta. Ele foi.
— Amizade no trabalho não precisa ser forçada. Basta estar aberto.
Ele entendeu que não precisava ser o mais extrovertido da sala. Só precisava dar o primeiro passo. Um comentário, um convite pro café, uma pergunta genuína.
— Colega de trabalho não é amigo automático. Mas pode se tornar.
*Continua em: 907 — Como se vestir para o trabalho presencial?*