O despertador tocou 5h30. Carlos tinha esquecido como era doloroso acordar cedo.
Dois anos em home office. Agora, a empresa exigia retorno. Três dias presenciais, um dia remoto, um dia híbrido.
O primeiro dia foi um choque.
— Tô exausto e são 10h da manhã — ele disse pro colega, o Rafael.
— Normal. O corpo desacostumou. Voltar a pegar transporte, acordar cedo, lidar com barulho o tempo todo. Isso cansa.
Carlos sentiu falta do silêncio de casa. Do microfone mudo. Da pausa pra deitar cinco minutos.
Mas sabia que não tinha escolha. Se quisesse manter o emprego, precisava se adaptar.
Ele começou a criar estratégias. Primeiro: ajustou o sono. Dormia 22h, acordava 5h30. Sem celular na cama.
Segundo: organizou a marmita no domingo pra não perder tempo de manhã.
Terceiro: usava o trajeto para ouvir podcasts. Transformou o tempo perdido em aprendizado.
No escritório, descobriu que podia usar fones de ouvido. Isolava o barulho e mantinha o foco.
— Não é o ideal — pensou. — Mas é funcional.
Na terceira semana, já não sentia tanto cansaço. O corpo tinha se ajustado.
— Adaptação é processo. Não acontece num dia.
*Continua em: 905 — Como coletar provas de irregularidade no trabalho?*