Carlos estava na frente do computador depois do expediente. A tela tinha três abas abertas: o relatório da empresa, o site de vagas e a planilha de gastos do mês.
Ele queria um segundo trabalho. Algo para complementar a renda. Mas o horário do atual emprego era fixo. O desafio era negociar flexibilidade.
— Se eu pedir pra sair mais cedo dois dias por semana, eles vão achar que não tô comprometido.
Ele pensou nisso no banho, no trânsito, na hora do almoço.
Decidiu preparar uma proposta. Abriu uma planilha e listou:
— Entro 7h, saio 16h. Compenso o horário almoçando em 30 minutos. Entrego todas as metas antes do prazo.
No dia seguinte, pediu reunião com o gestor.
— Carlos, quero propor uma mudança de horário. Posso entrar uma hora mais cedo e sair uma hora mais cedo. A produção não muda.
— Por que a mudança?
— Preciso de tempo pra um projeto pessoal. Um curso, algo que vai me qualificar.
Carlos optou por não falar do segundo trabalho. Curso soava melhor.
Carlos olhou a planilha.
— Você já entrega tudo no prazo?
— Sim. Nunca atrasei.
— Então tá aprovado. Teste por um mês.
Carlos saiu da sala aliviado. Negociar horário era possível. Bastava mostrar que a entrega não ia mudar.
— Flexibilidade se negocia com resultado, não com pedido.
*Continua em: 903 — Como lidar com gestor que grita?*