O supervisor chamou Carlos na sala. Fechou a porta. O assunto era sério.
— Carlos, a Mariana reclamou que você tratou ela diferente por causa da orientação sexual dela.
Carlos sentiu o estômago apertar.
— O quê? Eu nunca fiz isso.
— Ela disse que você evita falar com ela, não responde as mensagens no grupo, e quando ela pede ajuda, você empurra pra outra pessoa.
— Não é por causa da orientação sexual. É porque ela errou um relatório importante e eu fiquei chateado.
— Independente do motivo, o comportamento gerou desconforto. E se for por discriminação, é grave. Muito grave.
Carlos respirou fundo. Percebeu que, mesmo sem intenção, o jeito que ele agiu depois do erro — ignorar, evitar, se afastar — era um tratamento diferente.
— Não quero que ninguém se sinta assim. O que eu faço pra consertar?
— Conversa com ela. Explica que o afastamento foi por causa do erro profissional, não por preconceito. E pede desculpa pelo tratamento.
— E se ela não acreditar?
— Você mostra com ações. Trata todo mundo igual, independente de cor, gênero, orientação. Não é sobre não errar. É sobre corrigir.
Carlos concordou. No dia seguinte, chamou a Mariana e conversaram. Aos poucos, a confiança voltou.
— Discriminar não é só xingar — ele pensou. — É tratar diferente por causa de quem a pessoa é.
*Continua em: 902 — Como negociar horário flexível para ter outro trabalho?*