Carlos chegou no trabalho e a mesa estava coberta de post-its. Cada um com um nome de cliente e um prazo. Ele tinha passado a noite em claro por causa do Pedro, que estava com febre.
— Tá com cara de quem não dormiu — a Mariana, do lado, comentou.
— Não dormi mesmo. Meu filho passou mal a noite toda.
— E os prazos?
Carlos olhou pros post-its. Pareciam ainda mais numerosos do que na sexta.
— Vou dar meu jeito.
Mariana balançou a cabeça.
— Não precisa dar jeito sozinho. A gente divide.
Carlos hesitou.
— Não quero jogar minhas coisas pra vocês.
— Não é jogar. É pedir ajuda. Todo mundo passa por isso.
Ela se virou pro resto da equipe.
— Pessoal, o Carlos tá com problema em casa. Quem pode pegar uma parte dos prazos dele hoje?
O Rafael levantou a mão. A Jéssica também. Até o André, que quase não falava com ele, acenou que sim.
Carlos sentiu um aperto na garganta.
— Valeu mesmo, gente. Na próxima eu compenso.
— Não precisa compensar — o André respondeu. — Um dia a gente precisa, outro dia a gente dá. É assim.
Carlos sentou. A tela do computador já não parecia tão pesada.
*Continua em: 893 — Como falar sobre diversidade no trabalho?*