Eram 21h37 quando o celular vibrou em cima da mesa de cabeceira. Carlos virou na cama e olhou a tela. Mensagem do Carlos: "Carlos, pode dar uma olhada no relatório? Preciso amanhã cedo."
Ele ficou olhando pro teto.
Lembrou que nos últimos quinze dias respondeu mensagem do trabalho em três domingos, num feriado e depois da meia-noite duas vezes. A comida esfriava na mesa enquanto ele checava e-mail.
— Quem é? — Luísa perguntou do lado.
— O Carlos.
— De novo?
Ele não respondeu. Colocou o celular virado na mesa.
— Vou responder amanhã.
— Você sempre fala isso e sempre responde agora.
Carlos suspirou. Ela estava certa.
No dia seguinte, ele chegou mais cedo. Bateu na sala do Carlos.
— Carlos, tenho que falar uma coisa.
— Pode falar.
— Eu respondo mensagem fora do horário. Sei que você precisa, mas não tô conseguindo desligar.
Carlos apoiou o queixo na mão.
— O que você sugere?
— Se for urgente, me liga. Se não, manda no horário comercial. Depois das 20h, eu só vou ver no dia seguinte.
Carlos balançou a cabeça.
— Combinado.
Carlos saiu da sala sentindo um peso menor nos ombros. Não tinha gritado, não tinha virado problema. Tinha falado. E o mundo não acabou.
*Continua em: 884 — Como responder "quais seus planos?" para supervisor?*