O assessor de investimentos apresentou uma carteira gerida por um gestor profissional. Carlos gostou, mas desconfiou de uma taxa.
— Qual a taxa de performance dessa carteira?
— Vinte por cento sobre o que exceder o CDI.
— Vinte por cento? Isso não come meu lucro?
— Se o gestor entregar retorno acima do CDI, você paga vinte por cento desse excesso.
— Explica melhor. Se o CDI for 10% e a carteira render 15%, como fica?
— Os 5% acima do CDI. Sobre esses 5%, você paga 20% pro gestor. Ou seja, 1% do total.
— Um por cento do total?
— Isso. Você fica com 14%, o gestor fica com 1%.
— E se a carteira render igual ao CDI ou menos?
— Não paga taxa de performance. Zero.
— E a taxa de administração?
— Um por cento ao ano.
— Então no total, se ele render 15%, eu pago 1% de adm + 1% de performance = 2% de custo total?
— Exato.
— E se ele render abaixo do CDI? Eu pago 1% de adm e 0 de performance. Aí é prejuízo duplo: rendimento baixo e taxa fixa.
— Correto. Por isso que a escolha do gestor importa.
Carlos pensou.
— Qual o histórico desse gestor?
— Nos últimos cinco anos, ele superou o CDI em quatro.
— E no ano que não superou?
— Pagou só adm. Perdeu performance.
— Vou começar com um valor pequeno pra testar. Se entregar, aumento.
— Faz sentido.
— Mas uma coisa: se ele bater o CDI por pouco, tipo 10,5%, a taxa de performance vai comer meio por cento. Meio por cento sobre pouco não compensa.
— Você pode definir um hurdle maior. Alguns gestores aceitam.
— Vou perguntar isso também.
*Continua em: 836 — Como conversar com consultor sobre fundo de reserva?*