Carlos decidiu desenquadrar do MEI e virar Microempresa. Precisava definir o próprio salário.
— Como eu calculo o pró-labore? — perguntou ao contador.
— Pró-labore é o salário que você tira da empresa. Tem que ser compatível com o mercado.
— Posso tirar qualquer valor?
— Não. Precisa ser um valor razoável. Se for muito baixo, a Receita pode questionar. Se for muito alto, a empresa paga mais imposto.
— Como acho o valor ideal?
— Olha a média do mercado pra sua função. Depois vê o que a empresa consegue pagar sem apertar.
— E os impostos?
— Pró-labore paga INSS. A empresa recolhe onze por cento. Você recolhe mais onze por cento do seu lado.
— E Imposto de Renda?
— Depende do valor. Tabela do IR é progressiva. Até dois mil e duzentos e cinquenta e nove reais é isento.
— Se eu tirar dois mil e quinhentos?
— Paga IR sobre o excedente. A alíquota é de sete e meio por cento.
— E se eu tirar como distribuição de lucro, em vez de pró-labore?
— Lucro é isento de INSS e IR. Mas precisa ter lucro de verdade. A empresa tem que comprovar.
— Melhor fazer uma combinação?
— Muita empresa faz: pró-labore no mínimo isento e o resto como distribuição de lucro.
— Parece inteligente.
— É prática comum. Mas tem que estar dentro da lei.
Carlos decidiu fazer a combinação. Pró-labore de dois mil e duzentos e o lucro distribuído quando houvesse.
*Continua em: 814 — Como pedir ao contador balanço patrimonial da empresa?*