O sogro de Carlos ligou. Ofereceu um empréstimo pra ajudar com a empresa.
— Filho, sei que você tá crescendo. Posso te emprestar uns cinco mil. Sem juros.
Carlos ficou em silêncio. Não queria aceitar. Mas não sabia recusar sem magoar.
Conversou com a parceira.
— Seu pai me ofereceu dinheiro. Não quero aceitar.
— Por quê?
— Misturar dinheiro com família é complicado. Se o negócio der errado, vou ficar devendo não só dinheiro, mas explicação.
— Ele só quer ajudar.
— Eu sei. Mas quero construir sozinho. Se aceitar agora, depois vem cobrança.
— Que tipo de cobrança?
— Opinião sobre minhas decisões. Expectativa de retorno. Nunca é só dinheiro.
— Como você vai dizer não?
— Com sinceridade. Agradecer e explicar.
Carlos ligou pro sogro no dia seguinte.
— Obrigado pela oferta, de coração. Mas não vou aceitar.
— Por quê?
— Quero que o negócio cresça no meu ritmo. Se pegar dinheiro agora, posso me arriscar mais que o necessário.
— Mas é sem juros…
— Eu sei. E agradeço. Mas prefiro manter nossa relação de família, sem dívida no meio.
Houve silêncio. Depois o sogro falou:
— Respeito sua decisão. Se precisar de conselho, não de dinheiro, estou aqui.
— Isso eu aceito. Conselho é sempre bem-vindo.
Desligaram. Carlos sentiu alívio. Tinha sido honesto sem ser grosso.
*Continua em: 811 — Como pedir ao contador para emitir guia de INSS?*