Carlos emprestou dois mil reais para o primo no fim do ano. O primo disse que pagava em janeiro. Março chegou e nada.
— Lu, como peço o dinheiro de volta?
— Direto. Sem rodeios.
— Mas é constrangedor.
— Menos constrangedor do que ficar sem o dinheiro. Manda uma mensagem educada.
Carlos pegou o celular.
— "Primo, tudo bem? Lembra daquele dinheiro que emprestei em dezembro? Tô precisando. Consegue me pagar até sexta?"
— Pronto. Enviei.
— Agora espera. Ele vai responder.
O primo respondeu na hora: "Verdade, tô devendo. Te pago na sexta."
— Respondeu. Disse que paga sexta.
— Viu? Foi simples.
— E se ele não pagar na sexta?
— Aí você cobra de novo. Mostra que não esqueceu.
— E se continuar sem pagar?
— Aí você avalia se vale a pena insistir. Dinheiro emprestado para familiar é presente, não empréstimo.
— Como assim?
— Quando empresta para familiar, mentalize que pode não voltar. Se voltar, ótimo. Se não, não estrague o relacionamento.
— Então nunca empresto?
— Pode emprestar, mas com limite. Só o que você está disposto a perder.
— E se eu quiser formalizar?
— Faz um contrato de mútuo. Mesmo entre família. Define valor, prazo, juros. O contrato não é desconfiança, é organização.
— Vou fazer um contrato da próxima vez.
— Bom. E não empresta mais do que pode perder. Dinheiro e família: separar sempre.
O primo pagou na sexta. Carlos respirou aliviado.
— Consegui. Agora aprendi: emprestar só com contrato e sem expectativa.
*Continua em: 794 — Como perguntar ao gerente sobre rendimento da poupança?*