O telefone tocou. Carlos atendeu e ouviu a voz do tio.
— Carlos, filho. Sobre aquele dinheiro que você me emprestou no ano passado…
— Sim, tio?
— Tô conseguindo devolver agora. Quanto que foi mesmo?
— Seis mil.
— Vou te transferir hoje. Mas me diz: quanto de juros você quer?
Carlos ficou sem graça.
— Ah, tio, pode ser sem juros. O senhor é da família.
O tio riu.
— Não, filho. Dinheiro emprestado tem custo. Se não fosse comigo, você teria colocado num investimento. Eu preciso te pagar o que é justo.
Carlos não sabia o que responder. Na dúvida, ligou pro corretor.
— Tô numa situação — ele disse. — Meu tio quer me pagar com juros. Quanto eu cobro?
— Depende — o corretor respondeu. — O CDI é a referência. No seu caso, como é familiar, pode cobrar cem por cento do CDI. É justo sem ser oportunista.
— Como eu calculo?
— Pega o valor, multiplica pela taxa acumulada no período. Te mando uma planilha.
Carlos recebeu a planilha, fez a conta e mandou pro tio. No final, o valor com juros era setecentos reais a mais.
O tio pagou no mesmo dia.
— Assim que se faz — ele disse. — Negócio é negócio.
*Continua em: 763 — Como pedir orientação fiscal ao contador?*