Carlos emprestou 500 reais para o primo Marcelo. Marcelo disse que pagava no mês seguinte. Passaram-se três meses. Nada.
— Lu, o Marcelo pegou 500 conto comigo e não pagou. E fica me evitando.
— Você já cobrou?
— Não. Fico com vergonha. Parente.
— Vergonha devia ser de quem não paga, não de quem cobra.
— Mas como cobrar sem estragar o Natal?
— Você pergunta numa boa: "Marcelo, lembra daquele empréstimo? Quando você acha que consegue pagar?"'
Carlos mandou mensagem.
— E aí, Marcelo. Lembra daquele dinheiro que emprestei? Tô precisando, você tem previsão?
Marcelo respondeu na hora.
— Cara, tô apertado. Mês que vem eu pago.
— Seguro mês que vem, então.
— Valeu, primo.
O mês seguinte chegou. Marcelo pagou 200.
— Aqui, 200. O resto mês que vem.
— Obrigado. Avisa quando tiver o resto.
Depois Carlos desabafou com Luísa.
— Pagou 200. Ainda faltam 300.
— Pelo menos está pagando. O problema maior é quando o parente desaparece.
— Emprestar para parente exige conversa clara antes: valor, prazo, forma de pagamento. Tudo combinado, mesmo que não tenha contrato.
— E se não pagar?
— Aí você decide: vale a rivalidade familiar pelos 500 reais? Ou considera como "ajuda" e nunca mais empresta?
— É foda.
— Por isso muitos dizem: empreste apenas o que você pode dar. Se não voltar, não quebra o orçamento.
*Continua em: 758 — Como lidar com parente que pede dinheiro sempre?*