Carlos estava esgotado. Não era o trabalho — era o colega ao lado. Sérgio, um analista sênior, vivia minando o trabalho de Carlos: criticava em reunião, roubava crédito, fazia piadas passivo-agressivas. Carlos já tinha tentado conversar com o gestor, mas nada mudava.
— Lu, não aguento mais. O Sérgio torna cada dia um inferno.
— Você já tentou resolver com ele?
— Já. Diretamente. Ele nega. O gestor diz que é "estilo dele".
— E o que sobra?
— Pedir demissão. Mas não quero que ele ganhe.
— Não é sobre ele ganhar. É sobre você não perder sua saúde.
Carlos atualizou o currículo, fez entrevistas. Conseguiu uma proposta.
No dia do pedido de demissão, chamou o gestor.
— Preciso formalizar minha saída.
— Por quê? Você entrega bem.
— O ambiente não é saudável para mim. Já reportei o comportamento do Sérgio mais de uma vez. Nada foi feito.
O gestor hesitou.
— Poderíamos conversar com ele de novo.
— Já passou da conversa. Decidi seguir.
— Lamento perdê-lo.
— Eu também. Mas preciso priorizar minha saúde.
Depois, Carlos falou com Luísa.
— Foi difícil. Mas saí de cabeça erguida.
— Pedir demissão por um colega tóxico não é derrota. É autopreservação.
— Espero que a empresa um dia perceba.
— Talvez perceba. Mas você não precisa esperar sentado.
*Continua em: 725 — Como pedir ajuda profissional a um ex-colega?*