Carlos e Rodrigo eram amigos desde a faculdade. Quando Rodrigo convidou Carlos para ser sócio em uma consultoria, parecia o sonho. Mas na prática, as discussões profissionais estavam desgastando a amizade.
— Lu, o Rodrigo quer atender todo cliente, eu quero ser seletivo. A gente briga toda reunião.
— Qual é o limite entre a briga profissional e a pessoal?
— Aí é que está. A gente não separa.
— Então precisam de um combinado: quando discordarem profissionalmente, não pode virar ataque pessoal.
Carlos chamou Rodrigo para conversar.
— Rodrigo, nossa amizade é maior que a empresa. Mas estamos deixando o profissional contaminar o pessoal.
— Você leva as críticas para o lado pessoal.
— E você trata discordância como deslealdade.
— O que você sugere?
— Uma regra: durante reunião, podemos discordar à vontade. Depois da reunião, o assunto morre. Nada de levar discussão para o jantar ou para o grupo de amigos.
Rodrigo pensou.
— Justo. E se a discussão esquentar, a gente pausa. Volta no dia seguinte.
— Combinado.
— Amigos primeiro, sócios depois.
Carlos respirou aliviado.
Depois contou para Luísa.
— Acho que funcionou. A gente se entendeu.
— Conflito profissional com amigo só funciona quando os dois respeitam o limite: na empresa, são sócios. Fora, são amigos.
— Não é fácil.
— Não é. Mas é necessário.
*Continua em: 724 — Como pedir demissão por um colega tóxico?*