Carlos percebeu que Rafael, um amigo do futebol, estava mudando. Rafael tinha começado a apostar online. Primeiro era diversão, depois virou vício. Rafael já tinha pegado dinheiro emprestado com meio mundo.
— Lu, o Rafa tá afundando nas apostas. O que eu faço? Finjo que não vi?
— Você finge e perde o amigo, ou fala e talvez salve ele.
— Mas falar é invasivo.
— Amizade verdadeira tem espaço para conversa difícil. Não é acusar. É perguntar.
Carlos chamou Rafael para um almoço.
— Rafa, tô preocupado com você.
— Por quê?
— Essas apostas. Sei que você perdeu dinheiro, pegou empréstimo. Isso não é normal.
Rafael desviou o olhar.
— É só uma fase.
— Pode ser. Mas fase que põe sua vida financeira em risco merece atenção.
— Você acha que sou viciado?
— Não sou médico para diagnosticar. Mas acho que você precisa de ajuda. Apostar não é errado, mas quando vira desespero, é perigoso.
Rafael ficou em silêncio.
— Obrigado por falar. Ninguém teve coragem.
— Por isso estou falando. Amigo não aplaude erro.
Depois, Carlos conversou com Luísa.
— Ele ouviu. Pelo menos reconheceu que tem um problema.
— Primeiro passo. Às vezes a pessoa precisa ouvir de alguém que confia.
— Foi difícil falar.
— Lidar com amigo que faz escolhas erradas nunca é fácil. Mas o silêncio é cumplicidade.
*Continua em: 723 — Como lidar com conflitos profissionais com amigos?*