Carlos ia viajar para um congresso e precisava de hospedagem por três dias. Os hotéis estavam caros. Um amigo sugeriu uma pousada pequena, mas o valor da diária estava acima do orçamento.
— Como negocio sem ficar com cara de pão-duro? — perguntou a Luísa.
— Você não está pedindo esmola. Está perguntando se existe condição melhor. A diferença é essa.
— Como assim?
— Negociar com vergonha é pedir desconto pedindo desculpa. Negociar sem vergonha é perguntar se tem condição especial: pacote para mais dias, pagamento à vista, fora de temporada.
Carlos ligou para a pousada.
— Bom dia. Vi o valor da diária no site. É para três dias em junho. Tem algum desconto para estadia prolongada?
— Para três dias, posso fazer 10% de desconto — disse a recepcionista.
— E pagamento à vista?
— À vista em dinheiro ou PIX, mais 5%.
— Fecha. Quinze por cento de desconto. Qual o valor final?
A recepcionista calculou.
— Fica R$ 340 a diária em vez de R$ 400.
— Perfeito. Vou reservar.
Carlos desligou.
— Conseguiu? — Luísa perguntou.
— Consegui. Quinze por cento de desconto. Só perguntei.
— Viu? Só perguntar.
— É. O não eu já tinha. Agora tenho um sim.
Carlos aprendeu: negociar diária não é humilhação. É uma pergunta. Se o dono do negócio pode oferecer desconto, ele oferece. Se não pode, diz não. Simples.
*Continua em: 703 — Como denunciar um corretor mau profissional?*