Carlos estava fechando a compra do apartamento. O contrato tinha 30 páginas. Ele leu, mas algumas cláusulas pareciam escritas em outro idioma.
— O corretor vai achar que sou chato se pedir para explicar?
— Não. É seu direito. Corretor que não explica está escondendo algo.
Ele ligou para o corretor.
— Marcos, li o contrato todo. Mas algumas partes não ficaram claras. Pode me explicar?
— Claro, Carlos. Me manda as cláusulas que estou aqui para isso.
Carlos destacou três pontos:
1. **Cláusula de arras.** "Se o comprador desistir, perde o sinal. Se o vendedor desistir, devolve em dobro."
2. **Cláusula de vistoria.** "O imóvel será entregue no estado em que se encontra."
3. **Cláusula de multa.** "3% sobre o valor total em caso de atraso."
— Arras significa que se você desistir depois de assinar, perde o valor pago como sinal. É uma garantia para o vendedor.
— E a vistoria?
— Você tem direito de vistoriar o imóvel antes da entrega. Se achar problemas, pode pedir reparo. Depois que assinar, não pode mais reclamar.
— A multa é pesada. Três por cento de 400 mil é 12 mil reais.
— É. Fique atento ao cronograma. Um dia de atraso já gera multa.
Carlos anotou tudo.
— Posso pedir para meu advogado revisar?
— Claro. É recomendável.
Ele contratou um advogado imobiliário. O profissional achou uma cláusula abusiva: o prazo de vistoria era só 3 dias. O advogado negociou 15 dias.
— Letras miúdas escondem armadilhas. Perguntar não é ser chato. É ser esperto.
*Continua em: 700 — Como conversar com instrutor sobre custo de aulas extras?*