A disciplina era Matemática Financeira. O tópico: cálculo de VPL e TIR para fluxos de caixa não convencionais. Carlos tinha lido o capítulo três vezes, assistido a videoaulas, mas ainda não conseguia entender por que a TIR podia ter múltiplos valores.
Ele sabia que o monitor da disciplina, o Thiago, era formado em Engenharia e tinha fama de descomplicar o que parecia complicado.
Carlos mandou uma mensagem no grupo da monitoria:
"Thiago, tô com dificuldade em VPL e TIR para fluxos não convencionais. Você pode explicar? Não tô conseguindo avançar."
Thiago respondeu na hora:
"Claro. Aparece na monitoria amanhã às dez. Traz uma calculadora e o exercício que você está tentando resolver."
No dia seguinte, Carlos chegou com o material. Thiago já estava na sala, com a lousa limpa.
— Então, me conta o que você entendeu até agora.
— Eu sei que VPL é o valor presente líquido, soma dos fluxos descontados. TIR é a taxa que zera o VPL. O que eu não entendo é por que tem fluxo que dá mais de uma TIR.
— Porque a TIR é calculada a partir de um polinômio. Se o fluxo de caixa muda de sinal mais de uma vez, o polinômio pode ter múltiplas raízes.
— E como eu sei qual TIR usar?
— Boa pergunta. Na prática, a TIR relevante é a que faz sentido econômico. Você descarta as taxas negativas ou absurdas. E, em muitos casos, o VPL é um indicador mais confiável que a TIR.
Thiago foi para a lousa e resolveu dois exemplos completos, explicando passo a passo.
— Entendeu?
— Agora sim. O problema é que eu tava tentando memorizar a fórmula em vez de entender a lógica.
— Exato. Matemática financeira é lógica, não decoreba.
Carlos resolveu mais três exercícios sozinho, com Thiago apenas supervisionando. Acertou todos.
*Continua em: 597 — Como pedir ao monitor para formar grupo de estudos?*