Faltavam duas semanas para a entrega do TCC e Carlos não dormia direito. Acordava de madrugada com o coração acelerado, pensando em prazos, formatação, referências cruzadas, a apresentação. O corpo começava a dar sinais: dor de cabeça constante, estômago embrulhado, irritação com todo mundo.
Ele sabia que precisava falar com alguém. Mas tinha vergonha de parecer fraco. Orientador era para questões acadêmicas, não para desabafo emocional.
Mas num dia em que não conseguiu escrever uma linha sequer, ele decidiu ir.
— Orientador, o senhor tem um tempo?
— Tenho sim. O que houve?
Carlos sentou e não conseguiu olhar nos olhos do orientador.
— Eu não tô bem. Não consigo dormir, não consigo escrever. Cada vez que abro o documento, trava. Parece que tudo que eu escrevi é ruim. Eu tô com medo de não entregar.
O orientador fechou o notebook e se virou para Carlos.
— Isso se chama ansiedade de final de curso. Quase todo aluno passa por isso.
— Sério?
— Sério. A reta final do TCC é um dos momentos mais estressantes da graduação. Você acumulou meses de trabalho, pressão, expectativa. É normal que o corpo reaja.
— Mas o que eu faço? Não posso parar agora.
— Não precisa parar. Mas precisa desacelerar. Primeiro: respira. Você já tem o conteúdo. Agora é revisão e formatação. Não precisa produzir nada novo.
— Mas parece que falta tudo.
— Pega seu cronograma. Divide o que falta em tarefas pequenas. Uma por dia. Nada de tentar resolver tudo de uma vez.
— E a ansiedade?
— Se continuar atrapalhando, procura o serviço de apoio psicológico da universidade. É gratuito. E me avisa se precisar de extensão de prazo. A gente consegue, se for necessário.
Carlos saiu da sala mais leve. Dividiu as tarefas. Uma por dia. Na noite anterior à entrega, ele não estava tranquilo, mas sabia que tinha feito o possível. Entregou o TCC no prazo.
*Continua em: 592 — Como falar com orientador sobre problema com equipamento de laboratório?*