Como falar com orientador sobre falta de dados na pesquisa?

Carlos

Carlos estava na reta final da coleta de dados quando percebeu que algo estava errado. A amostra prevista era de cem respondentes. Ele tinha apenas quarenta e dois. O prazo tinha acabado e as pessoas simplesmente pararam de responder o questionário.

Ele entrou em pânico. Como fazer uma pesquisa com menos da metade da amostra?

Foi direto ao orientador.

— Orientador, tenho um problema sério.

— O que houve?

— A amostra. Eu precisava de cem respostas e só consegui quarenta e duas. O prazo acabou. Tentei de tudo: grupos, e-mails, whatsapp. Não adiantou.

O orientador não pareceu alarmado.

— Me diz qual é o seu público-alvo.

— Gestores de pequenas empresas.

— E como você está abordando?

— Por questionário online.

— Esse é um dos problemas. Gestor de pequena empresa não responde questionário online. Eles estão ocupados, recebem dezenas de formulários por semana. O índice de resposta costuma ser baixo mesmo.

— Então o que eu faço? Recomeço a coleta?

— Não. Quarenta e duas respostas ainda podem gerar uma análise válida, dependendo do desenho da pesquisa. A gente só precisa ajustar o tratamento estatístico.

— Como assim?

— Você pode tratar como estudo exploratório, não como conclusivo. Em vez de generalizar os resultados, você descreve o comportamento da sua amostra e sugere estudos futuros com amostras maiores. A validade interna ainda existe, a externa é que fica limitada.

— E a banca vai aceitar?

— Vai, desde que você justifique claramente a limitação e não tente vender os resultados como definitivos. Transparência metodológica é mais importante que tamanho de amostra.

Carlos seguiu a orientação. Ajustou a análise, escreveu a seção de limitações com honestidade. Na apresentação, a banca questionou o tamanho da amostra, mas Carlos explicou o contexto e as limitações. A pesquisa foi aprovada.

*Continua em: 591 — Como falar com orientador sobre ansiedade na reta final?*