Carlos estava no meio do TCC e a relação com o orientador não fluía. As reuniões eram espaçadas, o orientador demorava semanas para responder e-mails, e quando respondia, as orientações eram vagas. Carlos sentia que estava navegando sozinho.
Ele pensou em trocar de orientador, mas tinha medo do constrangimento. Como dizer para um professor que você quer sair da orientação dele?
Ele conversou com o coordenador primeiro, em off.
— Coordenador, estou com um desconforto na orientação. Não sei se é falta de química ou se o orientador está muito sobrecarregado.
— Você já tentou conversar com ele?
— Ainda não. Queria saber primeiro como funciona a troca.
— A troca é possível, mas precisa ser conduzida com transparência. O ideal é você conversar com o orientador atual, explicar seus motivos, e depois a gente faz o remanejamento.
— E se ele não aceitar?
— Ele não pode te obrigar a ficar. Orientação é uma relação de confiança. Se não está funcionando, a troca é um direito seu.
Carlos respirou fundo e foi falar com o orientador.
— Orientador, posso conversar?
— Claro.
— Eu queria agradecer pela orientação até aqui. O senhor me ajudou a definir o tema e a estrutura da pesquisa. Mas eu sinto que preciso de um estilo de orientação diferente. Mais próximo, com reuniões mais frequentes. E eu sei que o senhor tem uma agenda muito cheia.
O orientador ouviu em silêncio.
— Você está querendo trocar de orientador?
— Estou pensando nisso. Não é nada pessoal. É questão de encaixe.
O orientador suspirou.
— Entendo. Você tem razão, minha agenda está apertada esse semestre. Talvez eu não esteja conseguindo dar a atenção que você merece. Se você já tem outro orientador em vista, não vou criar obstáculos.
— Ainda não tenho. Queria conversar com o senhor primeiro.
— Faz o seguinte: procura o professor que você tem afinidade, conversa com ele, e depois me procura pra gente oficializar a transição.
Carlos procurou o professor Carlos, que já tinha demonstrado interesse pelo tema. O professor aceitou. A troca foi oficializada na semana seguinte, sem atrito.
*Continua em: 590 — Como falar com orientador sobre falta de dados na pesquisa?*