Carlos tinha um artigo pronto, fruto do seu projeto de iniciação científica. Ele queria submeter para uma revista, mas sabia que artigos com apenas um autor iniciante tinham menos credibilidade. A ideia de convidar o orientador como coautor parecia natural, mas ele não sabia como propor.
Ele preparou a abordagem com cuidado. Primeiro, mandou o artigo completo para o orientador com uma mensagem:
"Prezado orientador, estou finalizando este artigo para submissão. Como o senhor acompanhou todo o processo e contribuiu com a orientação, gostaria de convidá-lo para ser coautor. Se aceitar, posso incluir seu nome e ajustar conforme sua revisão. Aguardo sua opinião."
O orientador respondeu:
"Carlos, obrigado pelo convite. Antes de aceitar, preciso entender sua expectativa e também avaliar se minha contribuição justifica a coautoria."
No encontro presencial, o orientador explicou os critérios.
— Coautoria não é um favor, Carlos. É uma responsabilidade. O coautor responde pelo conteúdo junto com você. Se houver erro, plágio ou problema ético, os dois respondem.
— Eu sei. Por isso estou convidando o senhor.
— Sua pesquisa é original. A metodologia foi desenhada por você. Minha contribuição foi mais na revisão e na orientação do percurso. A pergunta que eu faço é: minha contribuição foi substancial o suficiente?
— Foi. Sem o senhor, eu não teria definido o problema direito nem estruturado a análise.
O orientador pensou um instante.
— Tudo bem. Aceito ser coautor, mas com uma condição: a gente submete para uma revista de qualidade mediana primeiro. Se for aceito, ótimo. Se não, a gente melhora e tenta uma melhor.
— Combinado.
Carlos incluiu o nome do orientador, fez os ajustes sugeridos e submeteram o artigo. Três meses depois, veio a resposta: aceito. Carlos era, pela primeira vez, coautor de um artigo científico publicado.
*Continua em: 589 — Como falar com orientador sobre troca de orientador?*