Como falar com orientador sobre orientando com dificuldades?

Carlos

Carlos era monitor de uma disciplina de Pesquisa Aplicada. Parte do trabalho era ajudar os alunos com os projetos. Um deles, o Rafael, estava claramente perdido. Não entregava os relatórios no prazo, não respondia e-mails, e quando aparecia, estava com o trabalho atrasado.

Carlos não sabia até onde ia sua responsabilidade. Ele foi falar com o orientador, que também coordenava a monitoria.

— Orientador, posso conversar sobre um aluno?

— Claro. Qual é a situação?

— É o Rafael, do terceiro semestre. Ele é meu orientando na monitoria de Pesquisa Aplicada. O problema é que ele não entrega as atividades, não responde as mensagens, e quando vem, tá completamente perdido. Eu não sei se continuo insistindo ou se deixo ele se virar.

O orientador apoiou o queixo na mão.

— Primeiro: você já tentou entender o que está acontecendo com ele?

— Tentei. Mandei mensagem, chamei pra conversar depois da aula. Ele sempre diz que tá ocupado.

— Pode ser mais do que desinteresse. Às vezes o aluno está com problemas pessoais, dificuldade de aprendizado, ou até vergonha de perguntar.

— O que eu faço?

— Chama ele pra uma conversa presencial. Senta com ele, sem pressão. Pergunta como ele está, se tá entendendo a matéria, se tem alguma dificuldade específica. Se ele não abrir, aí você me avisa que eu chamo como coordenador.

— E se ele realmente não quiser fazer o trabalho?

— Aí é escolha dele. Você ofereceu o suporte. A monitoria existe pra ajudar, não pra fazer por ele. Mas vale a pena tentar esse caminho mais humano primeiro.

Carlos seguiu o conselho. Chamou o Rafael para conversar depois da aula. No começo, Rafael foi evasivo. Mas Carlos insistiu com paciência.

— Rafael, não é sobre nota. É sobre entender o que tá pegando. Pode falar.

Rafael baixou a cabeça.

— É que eu não entendi nada da metodologia. O professor explicou, mas na hora de fazer, parece que é grego. E eu tenho vergonha de perguntar na frente da turma.

— Então a gente resolve. Vem aqui na monitoria duas vezes por semana que eu te explico do zero.

O Rafael passou a ir. O trabalho começou a andar.

*Continua em: 586 — Como pedir ao orientador para participar de grupo de pesquisa?*