Carlos tinha passado o fim de semana inteiro escrevendo o artigo. Vinte e três páginas. Era a versão final que ele pretendia submeter para uma revista acadêmica. Mas antes de apertar o botão de envio, ele sabia que precisava de um par de olhos experientes.
O orientador era a pessoa certa. Mas o orientador era ocupado. Será que toparia ler vinte e três páginas?
Carlos preparou um e-mail objetivo:
"Prezado orientador, concluí a primeira versão completa do artigo baseado na minha pesquisa de TCC. Gostaria de saber se o senhor poderia revisá-lo. São 23 páginas, incluindo referências. Não tenho pressa — aguardo sua disponibilidade. Desde já, agradeço."
O orientador respondeu no dia seguinte:
"Carlos, pode deixar. Me envia o arquivo em Word e me dá uma semana. Vou revisar e te devolver com comentários."
Carlos enviou o arquivo. Durante aquela semana, ele evitou mexer no texto. Queria ler as sugestões com a cabeça fresca.
Uma semana depois, o orientador chamou.
— Li seu artigo, Carlos. Você escreveu bem. A estrutura está correta, a revisão bibliográfica é sólida. Fiz algumas marcações na metodologia e nas conclusões.
— O que o senhor achou que precisa melhorar?
— Na metodologia, você descreveu bem o tipo de pesquisa, mas faltou detalhar os critérios de inclusão e exclusão da amostra. Nas conclusões, você pode aprofundar a relação entre os resultados e a teoria. E tem alguns parágrafos que podem ser condensados.
— Dá tempo de ajustar antes do prazo?
— Dá. São ajustes pontuais. Em três dias você resolve.
Carlos pegou o arquivo revisado. As marcações estavam claras, com sugestões escritas nas laterais. Ele passou a tarde fazendo as correções. No terceiro dia, o artigo estava pronto.
— Revisado e ajustado — ele disse ao orientador.
— Então pode submeter. Bom trabalho.
Carlos submeteu o artigo na revista. A resposta veio três meses depois: aceito com revisões menores.
*Continua em: 584 — Como pedir ao orientador para indicar banca examinadora?*