Carlos passou três meses coletando dados para a pesquisa do TCC. Quando rodou a análise estatística, os números não faziam sentido. A hipótese que ele defendia desde o primeiro semestre simplesmente não se sustentava.
Ele ficou olhando para a tela do computador, sem saber o que fazer. Pensou em refazer a análise. Depois pensou em esconder o resultado. Mas uma amiga mais velha já tinha avisado: pesquisa é isso. Nem sempre o que a gente espera é o que aparece.
Carlos mandou um e-mail para o orientador:
— Orientador, tenho uma dúvida sobre os resultados da minha pesquisa. O senhor pode me atender esta semana?
O orientador respondeu no mesmo dia. Marcou para quarta-feira, depois da aula.
No encontro, Carlos abriu o notebook e mostrou os gráficos.
— Orientador, eu tô com um problema. A hipótese que eu levantei não foi confirmada. Os dados mostraram o contrário do que eu esperava.
O orientador inclinou o corpo para frente e examinou os gráficos com calma.
— Interessante. Me conta o que você fez.
Carlos explicou todo o processo: a coleta, a amostra, a metodologia, o tratamento estatístico.
— Pelo que você descreveu, o método está correto. O resultado é simplesmente o resultado. A pesquisa não confirmou sua hipótese, e isso é perfeitamente válido.
— Mas o TCC não precisa comprovar alguma coisa?
— Precisa mostrar que você seguiu o método científico. Uma hipótese refutada é um resultado tão importante quanto uma confirmada. Você só precisa discutir por que isso aconteceu. Que variáveis podem ter influenciado. O que a literatura diz sobre isso.
Carlos sentiu um alívio.
— Então o TCC não está perdido?
— Pelo contrário. Agora você tem um achado interessante pra discutir. Vou te recomendar três artigos que tratam de resultados negativos em pesquisas da nossa área. A partir deles, você constrói a discussão.
Carlos saiu da sala com uma nova perspectiva. O resultado inesperado não era um fracasso. Era o que tornava a pesquisa real.
*Continua em: 582 — Como pedir ao orientador para participar de congresso?*