Carlos estava travado. O TCC precisava avançar, mas toda vez que ele abria o documento, ficava olhando pra tela branca. Escrevia uma frase, apagava. Escrevia outra, apagava. O capítulo dois estava parado há três semanas.
Ele sabia que precisava conversar com o orientador. Mas sentia vergonha. Parecia falta de compromisso. O orientador ia pensar que ele não estava levando a sério.
A Luísa percebeu.
— Você não vai falar com ele?
— Vou. Mas é foda admitir que não consigo escrever.
— Orientador existe pra isso.
Carlos marcou uma reunião. Chegou na sala do orientador com o notebook, o caderno de anotações e a sensação de que não tinha nada pra mostrar.
— Professor, eu preciso ser sincero. Tô com bloqueio na escrita. Não consigo sair do lugar. O capítulo dois está parado, eu sei o que quero dizer, mas na hora de escrever, não sai.
O orientador não pareceu surpreso.
— Isso é mais comum do que você imagina. Qual foi a última coisa que você escreveu?
— A revisão bibliográfica. Depois disso, travou.
— Então o problema não é escrever. É que você está tentando escrever o capítulo dois sem ter fechado o um. Volta pro capítulo um. Relê, ajusta, completa. Depois que ele estiver sólido, o dois flui.
— É só isso?
— Às vezes o bloqueio não é criatividade. É organização. Você não está travado porque não sabe escrever. Está travado porque pulou uma etapa.
Carlos respirou aliviado. Voltou pro capítulo um. Revisou, completou, deixou redondo. Na semana seguinte, o capítulo dois começou a sair.
*Continua em: 581 — Como falar sobre resultados inesperados?*