Carlos sempre quis publicar um artigo acadêmico. Desde o segundo semestre, lia artigos de Direito Constitucional e pensava: "Um dia eu escrevo um desses." Mas escrever sozinho era difícil. Faltava orientação, falta de experiência.
Ele lembrou do professor de Hermenêutica, que tinha vários artigos publicados e sempre incentivava os alunos a escreverem. No fim de uma aula, Carlos esperou todo mundo sair e se aproximou.
— Professor, o senhor tem um minuto?
— Claro.
— Eu tenho interesse em escrever um artigo acadêmico. Já tenho um tema em mente: a aplicação da hermenêutica jurídica nos julgamentos do STF. Mas nunca publiquei nada e queria saber se o senhor toparia orientar ou até coorientar.
O professor parou de guardar os papéis.
— Você já tem o tema definido?
— Tenho. E já li uns vinte artigos sobre o assunto.
— Já leu vinte artigos? Isso é mais do que muito aluno de mestrado lê antes de começar. Me mostra o que você tem.
Carlos abriu o caderno e mostrou as anotações.
O professor leu, virou algumas páginas.
— Tá bem encaminhado. Vamos fazer o seguinte: você escreve um esboço de cinco páginas com a introdução e a estrutura do artigo. Me manda por e-mail. Eu reviso, devolvo com sugestões. Se o conteúdo for sólido, topo ser coautor.
— Sério?
— Sério. Mas o trabalho é seu. Eu entro pra dar direção e credibilidade.
Carlos passou o fim de semana escrevendo o esboço. Mandou na segunda. O professor respondeu na quarta: "Bem escrito. Vamos em frente."
*Continua em: 578 — Como pedir ao coordenador orientação sobre carreira acadêmica?*