Carlos estava cansado. Não da matéria, mas de um colega que não parava de atrapalhar a aula. O cara conversava alto, fazia piada durante a explicação, respondia debochando. O professor já tinha olhado feio algumas vezes, mas não tinha tomado providência.
Carlos pensou em falar com o professor depois da aula. Mas não queria parecer o dedo-duro da sala, o cagueta. O que os colegas iam pensar?
Ele resolveu ir falar com o professor, mas pensou bem antes de abrir a boca.
Depois da aula, se aproximou.
— Professor, o senhor tem um minuto?
— Claro, Carlos.
— É sobre a dinâmica da sala. Tô tendo dificuldade de concentração porque algumas conversas paralelas atrapalham. E sei que não é só comigo. Não quero citar nome de ninguém, mas queria deixar o senhor ciente.
O professor apoiou o giz na mesa.
— Agradeço você ter vindo falar. E fez bem em não citar nomes. Eu já percebi o movimento. Vou ajustar a condução da aula. Se continuar, chamo o aluno pra conversar reservadamente.
Carlos respirou aliviado. Não tinha citado ninguém, não tinha feito fofoca. Só tinha falado sobre o problema.
*Continua em: 563 — Como pedir ao colega anotações de aula que perdeu?*