Carlos estava perdido em Estatística. O professor explicava rápido, os slides eram confusos e ele não conseguia acompanhar. Os colegas também estavam perdidos, mas fingiam que entendiam. Carlos fingia junto.
Até que a primeira prova veio. Nota: quatro.
Ele precisava de ajuda, mas tinha vergonha de ir até o monitor. Pensava que monitor era pra tirar dúvida de quem estava quase passando, não de quem tinha tirado quatro. Imaginava o monitor julgando: "como esse cara chegou no quarto período sem saber estatística básica?"
Uma semana depois, a Luísa foi direta.
— Você vai repetir a disciplina se não pedir ajuda.
— Eu sei.
— Então vai.
Carlos foi até a sala de monitoria. Bateu na porta. O monitor atendeu.
— Oi, posso ajudar?
— É... tô com dificuldade em Estatística. Tirei quatro na primeira prova. Queria saber se você pode me ajudar com os exercícios.
O monitor não julgou. Puxou uma cadeira.
— Claro. Qual parte você não entendeu?
— Tudo. Sinceramente, quase tudo.
O monitor riu.
— Relaxa. Estatística é um dos maiores filtros do curso. Todo mundo tem dificuldade. Me mostra a prova.
Carlos mostrou. O monitor olhou as questões.
— O problema não é você não saber. É que você tentou decorar em vez de entender. Vamos começar do zero. Peguei o básico da disciplina.
Nas duas semanas seguintes, Carlos foi na monitoria três vezes por semana. O monitor explicava devagar, usava exemplos práticos e fazia exercícios junto com ele. Na segunda prova, Carlos tirou sete.
No fim do semestre, passou com oito. A maior vergonha não foi pedir ajuda. Foi ter demorado tanto pra pedir.
*Continua em: 551 — Como falar com professor supervisor de estágio?*