Carlos tinha passado na primeira fase da seleção de monitoria, mas o regulamento pedia também uma carta de recomendação de um professor da área. Ele escolheu o professor de Matemática Financeira, a disciplina que ele queria monitorar. Só não sabia como pedir.
— Professor, o senhor tem um minuto?
— Claro, Carlos. O que foi?
— Eu me inscrevi no processo seletivo de monitoria de Matemática Financeira. Passei na primeira fase. Mas o edital pede uma carta de recomendação de um professor da disciplina. E eu queria saber se o senhor poderia escrever.
O professor apoiou os braços na mesa.
— Por que você quer monitoria?
Carlos pensou antes de responder.
— Dois motivos. Primeiro, porque eu gosto da disciplina. Tirei nove e meio, mas mais do que a nota, eu gosto de explicar o conteúdo. Ajudo colegas desde o primeiro semestre. Segundo, porque a bolsa ajuda nas contas. Mas o principal é o primeiro.
O professor sorriu.
— Resposta certa. Vou escrever a carta. Mas deixa eu te perguntar uma coisa: você já pensou que monitoria não é só ensinar? Você vai lidar com aluno frustrado, que não entende a matéria, que tá prestes a desistir.
— Pensei. E acho que é por isso que quero. Já estive do outro lado. Sei como é.
— Então tá. Me manda um e-mail com seu histórico, seu currículo e o prazo de entrega. Em dois dias a carta tá pronta.
Carlos mandou o e-mail no mesmo dia. Dois dias depois, o professor entregou a carta em envelope lacrado. Carlos anexou ao resto da documentação e completou a inscrição.
*Continua em: 550 — Como pedir ajuda ao monitor sem constrangimento?*