A turma de Carlos estava no último semestre. Faltava pouco pra formatura. E tinha uma tradição: escolher um professor pra ser padrinho, aquele que faz o discurso na colação e representa a turma na cerimônia.
A escolha foi unânime. O professor de Direito do Trabalho. O cara que dava aula com paixão, que chamava os alunos pelo nome, que fazia questão de saber a história de cada um.
Só que ninguém queria fazer o convite.
— Vai lá, Carlos — os colegas disseram. — Você é o mais próximo.
Carlos ensaiou o que ia dizer umas cinco vezes no ônibus. Quando chegou na sala do professor, hesitou na porta.
— Professor, a turma me mandou aqui. A gente queria fazer um convite.
— Pode falar.
— A gente tá se formando. E, bem, todo mundo concordou que o senhor seria a melhor pessoa pra ser padrinho da nossa turma. Pelo que o senhor representou pra gente nesses anos.
O professor ficou em silêncio por um momento. Os olhos brilharam um pouco.
— Ninguém nunca me pediu isso antes. É uma honra, Carlos. Aceito, claro. Mas me promete uma coisa?
— O quê?
— Que vocês vão estar todos lá no dia. Não adianta ter padrinho se metade da turma não aparece.
— Tão combinado.
Carlos saiu da sala e foi dar a notícia pra turma. Teve comemoração no grupo da faculdade o resto da tarde.
*Continua em: 529 — Como falar com professor sobre dificuldade na disciplina?*