A relação com o supervisor tinha esfriado. Não era briga aberta. Era um clima estranho. O supervisor parou de passar feedback, respondia monossílabos, ignorava as sugestões de Carlos nas reuniões.
Carlos ficou duas semanas remoendo. Será que era coisa da cabeça dele? Será que o supervisor estava estressado com outras coisas?
Luísa notou a mudança:
— Você tá diferente. Aconteceu alguma coisa no trabalho?
— Meu supervisor tá me tratando estranho. Não sei se falei algo ou se é coisa da minha cabeça.
— Conversa com o RH. Mas não vai falar mal dele. Vai falar de você.
Carlos pediu uma conversa com a analista de RH.
— Queria conversar sobre uma situação que está me incomodando — começou. — Não quero que pareça reclamação. É mais uma dúvida sobre como lidar.
— Pode falar.
— Sinto que a comunicação com meu supervisor mudou. Não recebo mais feedback direto e tenho dificuldade de saber se estou no caminho certo. Vocês têm alguma orientação sobre como abordar isso com ele?
A analista ouviu sem interromper.
— Você já tentou pedir um feedback formal?
— Não.
— Pode começar por aí. Agenda uma reunião de um-on-um com ele e pede uma avaliação objetiva do seu trabalho. Se a conversa não fluir, a gente se envolve.
Carlos seguiu a orientação. Agendou a reunião. Preparou perguntas objetivas. Falar com RH sobre conflito não era sobre acusar. Era sobre pedir ferramentas pra resolver.
*Continua em: 430 — Como comunicar ao RH sobre acidente de trabalho?*