Carlos ouviu a conversa no corredor. Um colega falando de outro funcionário que fazia comentários inadequados com uma estagiária. Não era a primeira vez que ele ouvia algo assim.
Ele ficou em silêncio o resto do dia. Pensou se devia falar. Pensou em não se envolver.
— Se você viu, você é testemunha — Luísa disse em casa. — Não é fofoca. É assédio.
No dia seguinte, Carlos pediu uma conversa reservada com o RH. Fechou a porta da sala.
— Preciso relatar uma situação que presenciei — ele disse. — Não sou a vítima, mas vi e ouvi coisas que não estão certas.
A analista do RH abriu um protocolo.
— Pode descrever o que viu?
Carlos contou. Datas, locais, falas. Não exagerou. Não omitiu.
— Vou abrir um canal de denúncia formal — a analista disse. — Seu nome fica em sigilo. A vítima será contactada separadamente.
Carlos saiu da sala com o estômago apertado. Fez o que devia. Não era fácil, mas era necessário.
*Continua em: 396 — Como levar preocupações da equipe para o RH?*