O atestado médico estava na mesa. Cinco dias. Repouso. Carlos leu o papel três vezes antes de pegar o telefone.
Ele nunca tinha tirado licença médica na vida. Sempre trabalhou doente. Sempre empurrou com a barriga.
— Você não é máquina — Luísa disse. — Manda pro RH.
Carlos fotografou o atestado. Abriu o e-mail. Escreveu:
"Prezados, conforme atestado médico anexo, preciso me ausentar por cinco dias a partir de amanhã. Já alinhei com o Carlos a transição das tarefas. Qual o procedimento para registro no sistema?"
Leu. Parecia profissional. Enviou.
A resposta veio em uma hora. "Recebemos seu atestado. O período consta como licença médica. Ao retornar, passe no RH para assinar o comprovante."
Carlos suspirou aliviado. Foi mais simples do que imaginava. Ninguém questionou, ninguém fez piada, ninguém tratou como se fosse um absurdo.
Ele desligou o notebook e foi deitar. Não precisava justificar doença. Só precisava comunicar.
*Continua em: 394 — Como conversar com RH sobre burnout?*