Carlos descobriu por acaso. Um colega que entrou depois, com menos experiência, ganhava mais. Não era muito. Mas era o suficiente para incomodar.
Ele passou uma semana remoendo. Pensou em falar com Carlos. Pensou em deixar pra lá. No fim, decidiu ir pro RH.
— Quero marcar uma conversa sobre minha faixa salarial — ele disse no atendimento.
A analista do RH parecia preparada pra isso.
— Pode me dar mais contexto?
Carlos explicou. Não citou nomes. Disse que, pelo mercado e pela própria estrutura salarial que ele conhecia, havia uma discrepância.
— Entendo sua preocupação — a analista disse. — Posso consultar a tabela salarial da posição e ver com a gestão se existe margem pra revisão.
— Quanto tempo leva?
— Até duas semanas.
Carlos concordou. Não foi agressivo. Não ameaçou sair. Só apresentou o fato.
Duas semanas depois, o RH respondeu que a revisão seria feita no próximo ciclo de avaliação. Não era o que ele queria ouvir, mas era uma resposta.
Ele aprendeu que discutir desigualdade salarial não era briga. Era apresentação de dados.
*Continua em: 393 — Como conversar com RH sobre licença médica?*