A entrevista era às dez. Às nove e meia Carlos já estava na frente do notebook, camisa social azul, fundo da estante arrumado, um copo d'água do lado.
Ele abriu o link da chamada. A tela mostrava "Você entrará em breve."
— Tá muito cedo — Luísa disse da porta. — Entra cinco minutos antes.
— E se a conexão cair?
— Você testou. Tá funcionando.
Carlos fechou o notebook. Abriu de novo. Olhou a câmera, o áudio, a luz. A janela do lado batia claridade no rosto. Ele fechou a cortina.
— Melhor — ele disse sozinho.
Faltando cinco minutos, ele clicou em entrar. A recrutadora apareceu na tela, fundo de home office, parecia tranquila.
— Carlos? Bom dia!
— Bom dia — ele respondeu. A voz saiu limpa.
A conversa fluiu. Ele não precisou ajustar o microfone, não teve eco, não travou. As pequenas preparações que ele fez antes — cortina fechada, câmera na altura dos olhos, fone com fio em vez de Bluetooth — fizeram a diferença.
A recrutadora nem comentou. Mas Carlos percebeu que ela olhava pra câmera quando falava com ele, não pra tela. Sinal de que a conexão e o enquadramento estavam bons.
No final, ela disse que entrava em contato.
Carlos desligou e respirou aliviado. O técnico não tinha falhado. E ele também não.
*Continua em: 383 — Como participar de entrevista de emprego?*