O recrutador olhou o currículo e franziu a testa.
— Você passou por três empresas em quatro anos. Pode me contar sobre isso?
Carlos já tinha ouvido essa pergunta em outras entrevistas. Antes, ele tentava justificar: mercado difícil, não se identificava com a cultura, oportunidades melhores. Parecia desculpa.
Dessa vez ele foi direto.
— As duas primeiras saídas foram por escolha minha. A terceira foi um layoff.
O recrutador anotou.
— Pode detalhar?
— A primeira empresa era muito pequena. Não tinha estrutura de carreira. Eu aprendi o que tinha pra aprender em um ano e busquei crescimento. A segunda foi um erro de avaliação. Na entrevista, o discurso era um. Na prática, o ambiente era outro. Fiquei um ano e saí.
— E o layoff?
— A empresa reduziu o quadro. Não foi por desempenho. Fui um dos últimos a entrar, então fui um dos primeiros a sair. Acontece.
O recrutador fechou o bloco.
— Obrigado pela honestidade. Isso explica bem.
— Prefiro que o recrutador entenda a história completa do que ache que eu sou volátil. Cada saída teve um motivo. Nem todos são bonitos, mas todos são verdadeiros.
O recrutador assentiu.
— Vou levar pro gestor.
Carlos saiu da entrevista sabendo que não precisava esconder o histórico. O que importava era mostrar que cada mudança teve propósito — mesmo que o propósito fosse "errei na escolha".
*Continua em: 381 — Como fazer teste técnico na entrevista?*