A vaga era de analista sênior. A etapa técnica era na sexta.
Carlos abriu o e-mail com os temas da entrevista. Gestão de estoque, otimização de rotas, análise de indicadores. Tudo que ele fazia no dia a dia. Mas em entrevista era diferente: sem acesso a sistema, sem consulta, sem o Carlos pra confirmar.
Ele montou um plano.
Segunda: revisar teoria de gestão de estoque. Ele pegou o caderno da faculdade e os posts salvos no Medium. Leu, resumiu, escreveu os conceitos chave num papel.
Terça: estudar otimização de rotas. Ele simulou uma rota no papel, pensando em voz alta. Luísa ouviu da sala.
— Você tá falando sozinho.
— To estudando.
— Pra entrevista?
— Sim. Explicar em voz alta ajuda a fixar.
Quarta: indicadores. Carlos montou uma planilha fictícia e calculou tudo de cabeça: giro de estoque, lead time, nível de serviço.
Quinta: ele pediu pra Luísa fazer perguntas. Ela não entendia de logística, mas isso era bom — se ele conseguisse explicar de um jeito que ela entendesse, era sinal que sabia o suficiente.
— O que é giro de estoque? — ela perguntou.
— É quantas vezes o estoque foi renovado num período. Giro alto significa que o produto sai rápido. Giro baixo significa que tá parado.
— Faz sentido.
Na sexta, a entrevista técnica durou quarenta minutos. Carlos respondeu cada pergunta com exemplos práticos. Não decorou resposta — entendeu o conceito.
No final, o avaliador disse:
— Você veio preparado.
— Estudei — Carlos respondeu.
Não tinha segredo. Entrevista técnica se ganhava antes, na mesa de estudo, não na hora da pergunta.
*Continua em: 379 — Como mostrar projetos na entrevista?*