— Você parece ter bastante experiência na área — o gestor disse. — Mas como eu sei que você não vai chegar achando que já sabe tudo?
A pergunta pegou Carlos desprevenido. Ele sentou mais reto na cadeira.
— Porque eu sei o que eu não sei.
O gestor parou.
— Como assim?
— Eu tenho quatro anos de operação logística. Sei organizar fluxo, treinar time, otimizar rota. Mas cada empresa funciona de um jeito. Quando eu entrei na Transportadora América, levei três meses pra entender os processos deles. O mesmo vai acontecer aqui.
— E como você lida com isso?
— Pergunto. Observo. Anoto. No primeiro mês, minha função é mais aprender do que entregar. Depois que entendo o sistema, começo a sugerir melhoria.
O gestor se recostou na cadeira.
— É raro ouvir alguém falar que não sabe tudo.
— Se eu dissesse que sei, você não ia acreditar. E com razão.
O gestor riu.
— Gostei da franqueza.
Carlos entendeu que confiança não era sobre saber todas as respostas. Era sobre saber onde procurar as que faltavam. Quem se acha dono da verdade não inspira confiança — inspira desconfiança.
*Continua em: 376 — Como agradecer o entrevistador após a entrevista?*