A sala de RH era a mesma de sempre: parede branca, mesa pequena, duas cadeiras. Mas dessa vez Carlos estava do outro lado.
Ele tinha pedido demissão na segunda. Agora era quarta, a entrevista de desligamento.
A analista de RH abriu o bloco.
— Carlos, a gente quer entender sua experiência aqui. Pode falar à vontade.
Carlos respirou. Ele tinha motivos pra reclamar: salário abaixo do mercado, pouca perspectiva de crescimento, processos engessados. Mas também não queria queimar pontes.
— O que mais funcionou pra mim aqui foi o time — ele começou. — A operação é bem organizada, aprendi muito com o Carlos. Mas a estrutura de carreira é limitada.
A analista anotou sem expressão.
— Em que sentido?
— Eu sou analista pleno há três anos. Entreguei resultados, liderei projetos, treinei gente nova. Mas não teve movimento de promoção. Eu pedi aumento uma vez, o Carlos apoiou, mas a empresa não conseguiu viabilizar.
— E isso pesou na sua saída?
— Foi o principal motivo. A vaga que eu vou assumir é de analista sênior, com aumento de trinta por cento. Era o que eu buscava aqui.
A analista fechou o bloco.
— Obrigada pela transparência. Isso ajuda a gente a melhorar.
Carlos saiu da sala aliviado. Ele foi honesto sem ser agressivo. Não escondeu os motivos, mas também não transformou em desabafo.
Dar feedback não era sobre descontar frustração. Era sobre ajudar quem fica.
*Continua em: 372 — Como falar com recrutador no LinkedIn sem chefe ver?*