— Qual foi o maior erro profissional que você cometeu?
Carlos já tinha ouvido essa pergunta antes. Na época, ele respondeu com um erro pequeno pra parecer que não errava. A recrutadora percebeu.
Dessa vez ele não ia fugir.
— Eu implementei um sistema de roteirização sem testar com o time primeiro.
O gestor inclinou o corpo.
— Me conta mais.
— Eu era analista júnior. Achava que tinha encontrado a solução perfeita pra otimizar as rotas de entrega. Passei uma semana montando o plano, apresentei pro Carlos — meu gerente — e ele aprovou. Mas eu não conversei com os motoristas. Não entendia como eles trabalhavam de verdade.
— O que aconteceu?
— O sistema funcionava no papel. Na prática, os motoristas tinham desvios que eu não considerei: ruas interditadas, clientes que só recebiam em horário específico, pontos de parada obrigatória. O plano atrasou as entregas em vez de acelerar.
— Como você resolveu?
— Pedi desculpa pro Carlos e fui conversar com os motoristas. Passei dois dias nas rotas com eles, entendendo o fluxo real. Depois refiz o plano com a contribuição deles. Funcionou na segunda tentativa.
O gestor ficou em silêncio por um momento.
— Você assumiu o erro abertamente?
— Não tinha outro caminho. Esconder ia piorar.
— E o que você aprendeu?
— Que solução técnica sem contexto operacional não vale nada. Hoje, antes de qualquer mudança, eu converso com quem está na ponta.
O gestor anotou. Carlos sentiu que não precisava ter acertado sempre. Precisava ter aprendido com os erros.
*Continua em: 370 — Como responder "quais seus pontos fracos" na entrevista?*