A entrevista estava indo bem até a recrutadora perguntar sobre hobbies.
— O que você gosta de fazer fora do trabalho?
Carlos hesitou. A resposta padrão era "ler, academia, cozinhar". Mas ele queria ser mais sincero.
— Eu jogo video-game — ele disse. — Nada competitivo. Mais jogo de estratégia, daqueles que você precisa planejar rotas, gerenciar recurso.
A recrutadora sorriu.
— Tipo SimCity?
— Mais parecido com Factorio. É um jogo de otimização. Você constrói linhas de produção, descobre gargalos, ajusta fluxo. Meio irônico, né? É basicamente o que eu faço no trabalho.
Ela riu.
— E você acha que isso influencia seu trabalho?
— Diretamente. A lógica é a mesma: identificar onde o processo trava, realocar recurso, testar solução. A diferença é que no jogo não tem prazo real.
A recrutadora anotou. Carlos sentiu que tinha sido genuíno sem perder a credibilidade.
No final, ela comentou:
— É raro alguém falar de video-game em entrevista sem parecer que tá fugindo da pergunta.
— É que a maioria das pessoas acha que precisa esconder quem é — ele disse. — Mas se o jogo me ensina algo que eu uso no trabalho, por que não falar?
Ela estendeu a mão.
— Gostei da sua honestidade. A gente volta em breve.
Carlos entendeu que autenticidade não era sobre falar tudo. Era sobre escolher o que compartilhar com propósito. Ser ele mesmo, mas sem perder de vista que ainda era uma entrevista.
*Continua em: 369 — Como responder "qual seu maior erro" na entrevista?*