O Carlos apareceu na porta da sala de reunião.
— Carlos, pode vir aqui?
Carlos seguiu até a mesa do gerente. O Carlos estava com o currículo aberto na tela.
— Preciso que você participe da entrevista do novo analista. É pro seu time. Você conhece a rotina melhor que eu.
Carlos não esperava. Ele nunca tinha entrevistado ninguém.
— O que eu pergunto?
Carlos tirou os óculos.
— O que você gostaria de saber antes de contratar alguém que vai trabalhar do seu lado.
Carlos sentou na sala de reunião meia hora depois com o currículo do candidato na frente. Um rapaz de vinte e poucos anos, duas experiências anteriores, formado em Administração.
Ele começou com o básico: trajetória, motivo da mudança. O candidato respondia bem, mas tudo parecia ensaiado.
Carlos decidiu mudar.
— Se eu te colocar na operação amanhã sem te mostrar nada — ele disse —, qual pergunta você faria primeiro?
O candidato parou. Pensou.
— Eu perguntaria qual é o fluxo mais crítico do dia. O que não pode atrasar.
Carlos gostou da resposta. Era uma pergunta de quem pensava em prioridade, não em tarefa.
Depois da entrevista, o Carlos chamou ele.
— E aí?
— Ele é bom. Mas mais importante que isso: ele pergunta as coisas certas.
Carlos assentiu.
— É por isso que te chamei pra entrevistar. Quem sabe o trabalho sabe reconhecer quem vai fazer bem.
Carlos entendeu que entrevistar não era testar. Era descobrir como a pessoa pensava.
*Continua em: 366 — Como explicar gap no currículo na entrevista?*